Blog Filosofando - Anos 80, 90 e hoje

Idéias e pensamentos sobre os anos 80, 90 e os dias de hoje. E sobre tudo mais o que der na telha!!

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Rebelde

De vez em quando somos chacoalhados por um desses fenômenos latinos inexplicáveis, que apenas surgem e viram febre, foi assim com Menudo, Chispita, Carrossel (a versão mexicana) e até o próprio Chaves, este sem dúvida quase uma coisa eterna que está na boca do povo e na nossa essência até hoje, mas normalmente esses "booms" são ou na música, ou na TV, nunca ou muito raramente se misturam e ocupam as duas esferas, até aconteceu com Thalia e sua "Maria do Bairro", já que a cantora era a protagonista da trama, mas nada se compara ao furacão mexicano "Rebelde" (2004-2006, Televisa) que aterrissou em nossa telinha em 2005 e se tornou uma explosão de proporções épicas, mas aí você se pergunta: o que tem essa novela com misto de seriado teen que causa tanto furor? resposta: Tem uma coisa que "contaminou" milhões e elevou os atores à condição de estrelas da música pop latina da noite para o dia: mistura de ficção com realidade, já que o grupo musical RBD fictício da história também existia na vida real fora dos sets... e a música deles era boa! E a novela também era muito boa! Para se ter uma idéia, o furacão "Rebelde" tomou conta da televisão latina (e brasileira também, claro) e foi visto por 3 em cada 10 pessoas que curtiam TV aqui pelos lados do  continente descoberto por Colombo, isso é muita coisa, aliás de onde os mexicanos tiram inspiração para produzir folhetins tão bem sucedidos? A explicação está no que "Rebelde" apresenta para quem a procura. A novela (ou seriado como classificam alguns) traz a história de um grupo de adolescentes que estudam em uma espécie de internato, o "Elite Way School", uma cara e exigente instituição de ensino particular onde só consegue entrar quem possui os pais mais abastados ou a sorte mais cabeluda para conseguir uma bolsa, a rotina de quem estuda ali é diferente das outras escolas, porque se mora no lugar também, e as folgas para se visitar os pais ou passar um dia em casa são raras e rigorosamente controladas a mão-de-ferro pelo autoritário (e falastrão) diretor do local, o Sr. Pascual Gandhia, mas claro que ele faz isso a pedido dos próprios pais dos alunos, que ao "depositarem" ali os seus filhos sob o pretexto estudantil, na verdade o fazem mais para se livrarem deles, vamos aos personagens, e tentar entender porque eles fisgaram o coração desses milhões de espectadores: Os protagonistas são Mia Colluci: (Anahí), mimada e rica, filha do empresário Franco Colluci (Juan Ferrara), que por ser muito ocupado com o trabalho colocou-a no Elite Way por achar que ela não se sentiria tão só, ela faz o tipo metida e é também a vocalista principal do grupo RBD (na história e na vida real); Roberta Pardo: (Dulce Maria), uma das figuras principais da novela, a segunda vocalista da banda é uma das que têm a personalidade mais difícil, sua mãe Alma Rey (Ninel Conde) fez fortuna como vedete e tem um temperamento igualmente difícil, pavio curtíssimo, Roberta se mete em confusões o tempo todo na escola e terá uma forte paixão por Diego; Miguel Arango: (Alfonso Herrera), um dos vocalistas, sua história é a mais complexa dentre os principais personagens, porque ele é o mais pobre, entrou no EW como bolsista com a ajuda do pai de Mia, inicialmente para se vingar dele por achar que este tem a ver com a morte de seu pai, acaba se apaixonando pela filha do seu inimigo; Diego Bustamante: (Christopher Uckermann), também canta mas apenas algumas músicas, não é um dos principais cantores do RBD, este é um dos mais sofridos personagens da novela por ser filho de León Bustamante (Enrique Rocha), um tipo de mafioso local que movimenta milhões com suas operações e falcatruas, ele colocou seu filho no colégio mais como um castigo, e para mantê-lo afastado da mãe que ele acredita ter morrido; Lupita: (Maite Perroni) a morena faz pontas em algumas músicas do grupo também, e é outra que entrou como bolsista, seu objetivo é formar-se para conseguir sustentar sua mãe e a sua irmã doente que ficaram no interior, é muito tímida e em certo momento fará forte parceria com Roberta, se apaixona na história primeiramente por Nico, e depois por Santos; Giovanni López: (Christian Chavez), o rapaz é uma das principais vozes do conjunto musical, e entrou para a escola a duras penas com grana juntada por seu pai que tem um açougue, ele se finge de rico e esconde a todo custo sua família e sua origem, terá um romance com Vicky; Alma Rey: a mãe de Roberta põe fogo e vira tudo de ponta-cabeça por onde passa, explosiva, impulsiva, determinada, vira e mexe ela aparece na escola para puxar a orelha de sua filha ou bater boca com o diretor Gandhia, seu passatempo favorito, é cômico notar que sempre seu decote está digamos "atrevido" para dizer o mínimo, viverá um romance explosivo com o pai de Mia, Franco Collucci; o pai de Mia é outra das figuras centrais na trama, aparece bastante, e faz parte do núcleo de vários personagens como Miguel, apesar de ser meio teimoso, tem bom coração e muitas vezes age como  herói ou mecenas sempre que algum amigo de Mia ou dele próprio está em apuros, protagoniza embates memoráveis com Alma Rey, sua paixão secreta; Josy Luján: (Zoraida Gómez) a moça a partir da segunda temporada ocupa o lugar de aluna mais pobre e sofrida da escola, talvez seja a única personagem que eu considere um pouco desnecessária à trama, e com enfoque exagerado, aparece muito e sempre os acontecimentos com ela são os mais apreensivos: ela não tem nenhum parente e estuda sustentada por um tutor misterioso, passa a ser perseguida implacavelmente pelo inspetor linha dura Gastão Diestro (Tony Dalton), que a quer fora do colégio; para terminar o quadro de principais figuras temos a Vick: (Angélique Boyer), a loirinha arrebata corações por seu temperamento atrevido e por sua beleza, está presente desde a primeira temporada e vive romances com vários colegas de internato, dentre eles, Miguel e Giovanni, Victória também tem seus dramas particulares: tem um pai alcoólatra de quem apanha recorrentemente. Claro que o Elite Way tem outras dezenas de alunos que participam da história tão ou mais frequentemente que os acima, mas estes são mesmo os mais importantes, a história de Rebelde está mais para um seriado estilo Gossip Girl ou Melrose, mas como enfoque adolescente, o diretor Pedro Damián conduz o progresso de cada personagem com rara felicidade, contando os dramas de forma calma e sem pressa, mesmo que a conclusão de um determinado acontecimento demore vários dias, ou até meses já que alguns mistérios e segredos que a novela carrega se arrastam dia após dia para nos prender ali assistindo é claro, nisso os mexicanos são mestres, há muito escracho, humor e espirituosidade nos capítulos, Giovanni chama sua colega de banda Roberta de "Chucky", fazendo referência ao seu cabelo vermelho e à maquiagem exagerada, a ciumenta Mia batizou uma outra colega de escola de Polly Pocket devido ao seu tamanho, e entre os mais cômicos está mesmo o diretor Pascual Ghandia, um charlatão de primeira, sabe que seu colégio só se sustenta devido a doações secretas de políticos e empresários que querem manter seus filhos ali "enclausurados", isso fora as pomposas mensalidades pagas por eles, e devido a isso fica com o rabo preso quando adverte algum aluno ou suspende um ou outra bagunceira: quando os pais deles aparecem ele volta atrás rapidinho e retira a punição, sobretudo quando esse pai é o mafioso León Bustamante; fora isso temos paqueras, intrigas, panelas, traições, trocos, vinganças, e romance, muito romance, por mais que alguns possam criticar o "jeito mexicano" de fazer drama e sofrimento, eu sou dos que elogiam, no fundo no fundo tudo o que nós todos mais queremos e adoramos é ver aquele personagem favorito por quem torcemos, aparecer tristonho ou tristonha sofrendo por amor ao som de uma deliciosa canção lenta e viciante, essa última frase exemplifica exatamente o que a novela é (carrossel foi assim também, mas em escala infantil, aliás, também foi dirigida pelo mesmo gênio Pedro Damian), com o tempero adicional de que essas músicas tema são dos próprios atores que estamos assistindo!

Acima: Diego, Mia, Miguel, Lupita, Giovanni e Roberta: o RBD

Produzida no México entre 2004 e 2006, Rebelde já era uma adaptação de Rebelde Way, produção argentina que havia feito um certo sucesso, só que a versão asteca arrebentou todos os recordes e foi exibida em mais de 60 países, e os atores passaram a fazer turnês com o RBD mundo afora, especialmente nos países de língua espanhola e no Brasil, onde angariaram uma espantosa soma milionária de fanáticos, também porque, além da novela, e como já dito acima, o grupo entoava as próprias canções-tema que embalavam os capítulos, e mais surpreendente ainda é que a música deles é muito boa, as faixas tocadas na trama estouraram em primeiro lugar nas rádios de países latinos por meses, e os CD's e DVD's da banda alcançavam os milhões em vendagem rapidamente, na verdade o que se via na América Latina inteira era um verdadeiro "Culto ao RBD" ou uma "Rebelde Mania", me arrisco a dizer que, do mesmo jeito que criaram na Argentina uma igreja com os fanáticos pelo ex jogador de futebol Diego Maradona (Igreja Maradoniana), da mesma forma poderia muito bem existir um tipo de "Igreja Rebeldiana" com os adoradores da banda e da novela (obviamente uma brincadeira de minha parte para tentar dar uma escala ao fenômeno). Aqui no Brasil, a felizarda emissora que exibiu a novela/série foi o SBT, que alcançou índices excepcionais de audiência, claro que a fama dos adolescentes mexicanos cantores ultrapassou a novela também no Brasil e Dulce Maria, Poncho, Maite, Anahí, Christian e Christopher fizeram aparições estreladas nos diversos programas da época como no Gugu e no próprio Silvio Santos, isso fora aparições promocionais para o público delirante (uma dessas aparições terminou em tragédia e houveram mortes, infelizmente), e claro, os shows do RBD no Brasil encheram as platéias com capacidade máxima. O estouro por aqui fez a gravadora lançar uma versão das músicas em português, cantadas pelos mesmos atores/cantores da novela, só que eu não curti muito essas versões e considero as gravações originais no idioma espanhol muito melhores, não que as tupiniquins tenham ficado ruins, mas é uma questão de gosto. O fenômeno foi tão violento que até os trajes que os alunos do Elite Way School usavam nos episódios, sobretudo as meninas - botas altas com saia plissada e um tanto curtas, blusa justa com gola, entreaberta e gravata - viraram moda nas ruas, e me lembro bem que foi nessa época que também passou a ser moda entre os homens andar de camisa para fora e gravata, coisa trazida com a novela! Abaixo, alguns vídeos do youtube para relembrar as aberturas de Rebelde.

(Fontes dos vídeos: Youtube)

Primeira abertura (Rebelde)


Segunda abertura (Aún Hay Algo)


Terceira abertura (Nuestro Amor)


Música "Solo Queda Te Én Silencio"


Música "Sálvame"

Quem sou eu

São Paulo, SP, Brazil
Webmaster, Crônica e textos: O autor Cresceu em São Paulo, teve a infância nos anos 80, admirador dos filmes, seriados, desenhos, músicas e games que se vivia naquela época, a última década da qualidade, e da inocência! Contato: kamenin.oruha@gmail.com