Idéias e pensamentos sobre os anos 80, 90 e os dias de hoje. E sobre tudo mais o que der na telha!!

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Spectreman

Quando se fala em super-herói é impossível não colocar os japoneses como campeões, tudo bem que existe o Batman, tudo bem que existe o Superman, o Iron Man e o Spider Man, mas os justiceiros japas ganham disparado, ainda que com eles o forte certamente não seja a tecnologia das produções, filmagens e visual, mas sim o enredo, a proposta. Para quem é um pouco mais velho, deve ser fácil lembrar do grande herói Ultraman que aparecia em tamanho gigante para enfrentar os tradicionais monstros também gigantes na TV (o que não é o caso deste aqui, que chegou ao mundo um pouco depois), e apesar de conhecer bem o Ultraman, eu curti bastante mesmo foi um herói contemporâneo dele (filmado nos anos 70) e que foi ao ar aqui no Brasil muito depois, no fim dos anos 80: Spectreman, graças aliás ao aguçado sentido do homem do baú Sílvio Santos que o recolocou no ar na tela do SBT (houve curtas exibições anteriores do herói, mas sem nenhum destaque). Daí você se pergunta qual a diferença entre os dois ou qual é o melhor? a resposta é rápida: Spectreman! O guerreiro que enfrenta os monstros enviados pelo macaco Dr. Gori para dizimar o Japão possui algumas das aventuras mais emocionantes já vivenciadas pelos heróis japoneses, Kenji é um aparente cientista que trabalha na divisão anti-poluição do Governo Japonês, ele na verdade é um andróide vindo do Planeta Nebula 71 construído para receber poderes dos Dominantes, que nada mais são do que um disco voador que nunca pousa e só aparece bem distante e pequenino, eles decidiram dar uma chance para o Japão e a Terra poderem resistir às investidas do primata malvado (na verdade, o Dr. Gori tem razão em sua batalha: ele quer enviar monstros para destruir os humanos porque ficou indignado ao ver a gente poluindo e devastando o planeta inteiro) Kenji também tem forma humana comum quando não está usando sua transformação em ciborgue. Pois bem, nosso macaco do mal tem um assistente bastante engraçado: Karas, a dupla manda a cada episódio um ser maligno para tentar tomar de assalto alguma cidade ou capturar parte da população ou mesmo sabotar sua infraestrutura, é nesse interim que nosso herói Kenji entra em ação primeiro investigando o que nossa monga predileta aprontou dessa vez e tentando consertar a bagunça, depois, se necessário, ele implora aos dominantes (sim, claro, todos nós temos que ser bastante obedientes a nossos chefes!) para que eles emitam a energia transformando nosso herói em Spectreman, uma vez como o mascarado, Kenji tem superpoderes, incluindo um raio mortal (Spectre Flash) que pode detonar qualquer monstro ou criatura bisbilhoteira, quando o bicho é muito poderoso, ele surge em tamanho gigante, o que obriga Spectreman a pedir outra ajudinha dos dominantes para tornar seu tamanho equivalente. Você pode estar se perguntando: mas que herói é esse que depende da boa vontade dos outros (no caso de um disco voador falante) para poder se transformar e enfrentar os inimigos? eu respondo, um herói dos melhores, até porque algumas vezes os dominantes não atendem aos chamados do guerreiro e o deixam a ver navios para enfrentar seus rivais (sabe como é, se você pisa na bola uma vez, ou não obedece uma ordem ou outra, pode ser castigado, isso acontece com Spectreman também), lógico que quando ele vai brigar como ser humano desprotegido sem seus poderes e começa a apanhar um bocado, nossos ET"s sempre atentos reconhecem a bravura do herói e transformam-no de novo no destemido brigador com capacete estilo egípcio. Outro ponto forte da série são  os monstros, sempre inspirados em bichos dos mais nojentos: Sapos, Gambás, Esquilos, Cobras, Morcegos, Baratas, eles dão a maior canseira no herói, muitas vezes (para não dizer quase sempre) a aventura está em duas partes (to be continued...), o que significa que o inimigo está dando muito trabalho para ser vencido, não raro Spectreman é derrotado (ou digamos, temporariamente desabilitado) por uma dessas criaturas e precisa ficar offline por algum tempo, para repor as energias, ele também precisa desse tempo para convencer os Dominantes de que ele merece continuar sendo o guerreiro escolhido por eles para enfrentar Gori e ser agraciado novamente com os poderes de transformação, enquanto dura esse hiato os capangas do Símio fazem a festa, dominam cidades, expulsam multidões, provocam o caos, os capítulos desta série tem um tom fortemente heróico e dramático, são um pouco apreensivos, nada de o protagonista nadar de braçada na luta contra os vilões, a dificuldade impera mesmo, algumas lutas duravam um episódio inteiro, ora nosso herói ia para o chão ora o monstro, às vezes após longa luta Spectreman se retirava momentaneamente após estudar o oponente para voltar depois, desafiá-lo de novo, e vencê-lo. Claro que não devemos nos ater aos efeitos especiais, quase "inexistentes" (não dá nem para chamar de defeitos especiais), porque a produção foi feita em 1971, mas sim Spectreman pode ser curtido com a fantasia e emoção que um bom seriado de herói merece receber, a versão que chegou aqui não veio direto do Japão, mas sim dos Estados Unidos, a música de abertura não é a original e possui um tema adaptado em inglês (ótimo), e para quem lembra a voz do Kenji/Spectreman foi dublada pelo mesmo ator que fazia a voz do Professor Girafales do Chaves. No Japão, o herói foi um fenômeno, tendo sido tema de muitos quadrinhos (mangás) inclusive em alguns deles fazendo parceria (ou duelo) com o próprio Godzilla, esse um ícone absoluto nas terras nipônicas, no Brasil foi exibida na Record no início da década de 80 mas sem repercussão, e reprisado no fim dos anos 80 pelo SBT aí sim com bastante sucesso, o seriado teve nível de repercussão bem próximo até dos outros produtos mais novos que passavam na Manchete como o Jaspion, e isso apesar de ser uma produção muito antiga, Spectreman hoje é um clássico trash absoluto da nostalgia e do oitentismo. Para encerrar, fica a mensagem que era a chamada da série antes de entrar a abertura: "Planeta: Terra. Cidade: Tóquio (mas pode ser qualquer outra). Como em todas as metrópoles deste planeta, Tóquio se acha hoje em desvantagem em sua luta contra o maior inimigo do homem: a poluição. E apesar dos esforços das autoridades de todo o mundo, pode chegar um dia em que a terra, o ar e as águas venham a se tornar letais para toda e qualquer forma de vida. Quem poderá intervir? 

Abaixo, a (ótima) abertura americana da série, adotada no Brasil:


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Webmaster, Crônica e textos: O autor Cresceu em São Paulo, teve a infância nos anos 80, admirador dos filmes, seriados, desenhos, músicas e games que se vivia naquela época, a última década da qualidade, e da inocência! Contato: kamenin.oruha@gmail.com